Ciclos de intervenção do Projeto Apoio e Orientação Sociofamiliar reforçam afeto e escuta ativa como direitos fundamentais da criança

Ciclos de intervenção do Projeto Apoio e Orientação Sociofamiliar reforçam afeto e escuta ativa como direitos fundamentais da criança O projeto Orientação Sociofamiliar, braço do programa Juventude Solidáriado Instituto Tocar, promoveu ciclos de intervenções de alto impacto socioeducativo para famílias e educadores de duas regiões do Distrito Federal. Os encontros aconteceram no CEPI Jardim das Acácias (Gama) no dia 10/09, e no Instituto Vitória Régia (Sobradinho II) nos dias 17/08 e 24/09. Com o objetivo de aplicar de forma prática o marco legal da Proteção Integral, as oficinas utilizaram a metodologia das 5 Linguagens do Amor no Cotidiano e a Comunicação Afetiva e Assertiva como eixos de letramento emocional. As atividades vivenciais instrumentalizou os adultos a decodificarem os sinais físicos e as necessidades emocionais na primeira infância, consolidando a premissa de que o afeto e a escuta atenta diária são, essencialmente, garantias de direitos fundamentais e fatores obrigatórios para o saudável desenvolvimento cerebral, biológico e social da criança. O Instituto Tocar é uma organização sem fins lucrativos, cuja MISSÃO é Promover e desenvolver programas, projetos e serviços para efetivação das políticas públicas nas áreas de Assistência Social, Saúde, Educação, Cultura e Meio Ambiente guiado por valores de justiça, ética, cidadania, direitos humanos e participação colaborativa. Acreditamos que o afeto e a conexão humana são poderosas ferramentas para promover a inclusão social, melhorar a qualidade de vida das pessoas em situação de vulnerabilidade e em diferentes contextos institucionais, públicos e privados.  Saiba mais sobre o Tocar Confira outras Notícias Tocar Acessar todos as notícias

Instituto Tocar lança Projeto Tocar – Apoio e Orientação Sociofamiliar para fortalecer vínculos familiares e comunitários

Instituto Tocar lança Projeto Tocar – Apoio e Orientação Sociofamiliar para fortalecer vínculos familiares e comunitários O Instituto Tocar anunciou o início do Projeto Tocar – Apoio e Orientação Sociofamiliar, iniciativa que será executada entre julho e dezembro de 2026 e que tem como foco o fortalecimento dos vínculos familiares, comunitários e institucionais. A ação integra a Plataforma Juventude Solidária, da Secretaria Nacional de Juventude, e busca promover ambientes mais afetivos, protetivos e colaborativos para crianças, adolescentes, jovens e seus educadores. Ações voltadas ao cuidado, à convivência e ao desenvolvimento socioemocional Segundo o documento oficial, o projeto pretende “fortalecer vínculos familiares, comunitários e institucionais por meio de ações de apoio e orientação sociofamiliar, promovendo o desenvolvimento saudável de crianças, adolescentes e jovens”. A proposta inclui oito encontros socioeducativos, oficinas, rodas de conversa e atividades vivenciais que abordam temas como comunicação afetiva, escuta ativa, autorregulação emocional, empatia, convivência familiar e construção de redes de apoio. Entre as atividades previstas estão: Rodas de conversa com famílias, educadores e jovens Oficinas socioemocionais sobre afeto e convivência Dinâmicas de fortalecimento dos vínculos familiares Práticas de autorregulação emocional Atividades “Calendário do Afeto” e “Dia do Tempo de Qualidade” Contação de histórias e integração comunitária Integração com políticas públicas O Projeto Tocar se vincula a importantes programas sociais do Governo Federal, como: Sistema Único de Assistência Social (SUAS) – fortalecendo vínculos familiares e comunitários Programa Escola em Tempo Integral – ampliando a participação das famílias na vida escolar Programa Saúde na Escola (PSE) – promovendo saúde emocional e prevenção de riscos Metodologia baseada na Cultura do Cuidado e das Linguagens do Amor O Instituto Tocar aplicará sua Metodologia Afetiva e Efetiva, que utiliza práticas educativas voltadas ao bem-estar, ao autocuidado e às linguagens do amor no cotidiano familiar. O projeto será realizado diretamente em escolas públicas, creches e instituições comunitárias, aproximando as ações das famílias e ampliando o acesso aos espaços de convivência e formação. O documento destaca que “as famílias enfrentam desafios cada vez maiores relacionados à convivência, comunicação, saúde emocional e fortalecimento dos vínculos afetivos”, justificando a relevância da iniciativa para prevenir vulnerabilidades sociais e promover cultura de paz. Impacto esperado Com ações práticas, afetivas e participativas, o Instituto Tocar espera ampliar fatores de proteção social, fortalecer a convivência familiar e incentivar a participação ativa de jovens, educadores e famílias na construção de ambientes mais saudáveis e acolhedores. Fotos do projeto O Instituto Tocar é uma organização sem fins lucrativos, cuja MISSÃO é Promover e desenvolver programas, projetos e serviços para efetivação das políticas públicas nas áreas de Assistência Social, Saúde, Educação, Cultura e Meio Ambiente guiado por valores de justiça, ética, cidadania, direitos humanos e participação colaborativa. Acreditamos que o afeto e a conexão humana são poderosas ferramentas para promover a inclusão social, melhorar a qualidade de vida das pessoas em situação de vulnerabilidade e em diferentes contextos institucionais, públicos e privados.  Saiba mais sobre o Tocar Confira outras Notícias Tocar Acessar todos as notícias

Em dezembro, o Instituto Tocar amplia o diálogo com a série especial de lives do Conect@r Mulheres – Unidas na Diversidade

Em dezembro, o Instituto Tocar dará sequência a série especial lives do projeto Conect@r Mulheres – Unidas na Diversidade No centro do debate as experiências, os desafios e as potências das mulheres em rede Em dezembro, o Instituto Tocar convida você para as duas lives que colocam no centro do debate as experiências, os desafios e as potências das mulheres em rede. As lives serão mediadas por Regina Almeida, presidente do Instituto Tocar, e transmitidas pelas nossas redes sociais, fortalecendo a formação coletiva e o cuidado em rede. No dia 4 de dezembro, às 20h, com o tema: “E se o Futuro For Cuidado ?”: Sonhos, Utopias e  Afetos Coletivos, Convidamos: Karen Cury- Terapeuta corporal e integrativa há 24 anos, criadora do programa Ser em Movimento e facilitadora no Conectar Mulheres. Jani Cleide – Assistente social e perita social. Atua com foco na cultura do cuidado e transformação comunitária, com políticas públicas e justiça social em territórios marcados por violência. Ken Araújo – Fundador da Rede Co-Labora, Pedagogo, especialista em gestão do 3° Setor, consultor de projetos sociais. Transmissão ao vivo pelo youtube Ative o lembrete, siga o Instituto Tocar nas redes e participe com a gente! Instagram Tocar Facebook Tocar Vamos juntas tecer diálogos que transformam. O Instituto Tocar é uma organização sem fins lucrativos, cuja MISSÃO é Promover e desenvolver programas, projetos e serviços para efetivação das políticas públicas nas áreas de Assistência Social, Saúde, Educação, Cultura e Meio Ambiente guiado por valores de justiça, ética, cidadania, direitos humanos e participação colaborativa. Acreditamos que o afeto e a conexão humana são poderosas ferramentas para promover a inclusão social, melhorar a qualidade de vida das pessoas em situação de vulnerabilidade e em diferentes contextos institucionais, públicos e privados.  Saiba mais sobre o Tocar Confira outras Notícias Tocar Acessar todos as notícias

Mulheres que cuidam, a invisibilidade que se repete

Mulheres que cuidam, a invisibilidade que se repete Este texto nasce em homenagem à Lêda Maria, minha mãe, e também a tantas outras mulheres que, como ela, sustentaram famílias, casas e vidas inteiras. Mulheres que enfrentaram e enfrentam duplas jornadas, dentro e fora do lar, carregando sobre si o peso histórico de um cuidado naturalizado como “função feminina”. Vidas fundamentais, mas frequentemente invisibilizadas, cujo esforço raramente foi reconhecido na mesma proporção do que foi exigido. Nordestina, mãe solo e chefe de família durante grande parte da vida, Lêda representa milhares de mulheres atravessadas pela desigualdade social brasileira. Migrou ainda adolescente, deixando seu estado em busca de sobrevivência, e encontrou, como tantas, no trabalho doméstico não remunerado, realizado em troca de abrigo e comida, o início de sua jornada laboral. Lêda Maria, mãe da Jussara Barros de Azevêdo Depois disso, sua história foi marcada por ocupações mal remuneradas, longas e exaustivas horas de trabalho e salários que jamais refletiram a grandeza de seu esforço físico e emocional. Como aponta Marx, o capitalismo se sustenta na exploração de uma força de trabalho cujo valor real é sistematicamente desconsiderado, e, no caso das mulheres pobres, isso se intensifica, pois, parte do trabalho que realizam sequer é reconhecido como trabalho. Sobre os estudos, vale perguntar: Lêda abandonou a escola? Ou foi o Estado que abandonou Lêda? Assim como milhares de mulheres da classe trabalhadora, ela foi atravessada pela necessidade urgente de sobreviver, em um contexto onde estudar naquele período e naquela realidade, nunca se apresentou como uma possibilidade concreta de mudança. A exaustão diária consumia não apenas horas, mas a energia vital necessária para permanecer na educação formal, energia que precisou ser reservada para o cuidado dos filhos, para os afazeres domésticos e para a luta cotidiana pela própria subsistência. A vida de Lêda, assim como a de tantas outras mulheres trabalhadoras, poderia ter sido menos árdua se o Estado tivesse garantido políticas públicas eficazes no enfrentamento da pobreza estrutural e da desigualdade social. Como analisa Iamamoto, as expressões da questão social não recaem sobre indivíduos de forma isolada, mas são produto das condições históricas e sociais. A sobrecarga mental vivenciada por Lêda e pelas diversas mulheres é resultado de uma organização social que delega a elas a responsabilidade quase exclusiva pelo cuidado, pela gestão da rotina doméstica e pela manutenção das relações familiares. Mesmo quando inseridas no mercado de trabalho, permanecem acumulando funções que exigem constante vigilância emocional, planejamento e antecipação das necessidades de todos ao redor, o que intensifica a dupla e até tripla jornada. Essa dinâmica revela como o trabalho de cuidado segue naturalizado e invisibilizado, sendo historicamente associado ao papel feminino. Nesse sentido, Angela Davis evidencia essa invisibilidade ao afirmar que “o trabalho doméstico é um dos pilares invisíveis que sustentam a sociedade”. (DAVIS, 1981) Promover uma educação comprometida com a formação de meninos e meninas livres do machismo é um dos pontos centrais dessa discussão. Como afirma Saffioti “a dominação masculina não se sustenta apenas pela força, mas pela educação que naturaliza e reproduz desigualdades desde a infância.” (SAFFIOTI (2015, p. 45): Há uma necessidade urgente de investir na construção de adultos mais funcionais, conscientes e igualmente ativos nos afazeres domésticos. Isso começa na infância: distribuir atividades conforme a idade contribui não apenas para o desenvolvimento de adultos mais responsáveis, mas também para a formação de um cérebro que reconhece desde cedo a importância do coletivo e da própria utilidade no cotidiano e na própria vida. Ensinar que quem suja, lava; que, para comer, alguém precisou cozinhar e que essa pessoa pode ser eles mesmos, no agora ou no futuro. Aprender a preparar o próprio lanche, arrumar a própria cama, jogar o lixo na lixeira, compreender que tudo tem um custo, desenvolver sentimento de gratidão. São pequenos gestos, repetidos ao longo da vida, que moldam sujeitos mais empáticos, autônomos e conscientes do impacto que têm no mundo e nas relações. Sobretudo, é fundamental construir consciência social: reconhecer quem tornou e torna a nossa vida mais fácil no cotidiano, especialmente as mulheres que, historicamente, carregaram sozinhas o peso dos cuidados e dos afazeres domésticos, quase sempre de forma invisibilizada. E, entre todos esses trabalhos invisíveis, cozinhar talvez seja um dos atos mais simbólicos de amor: árduo, silencioso e profundamente afetivo. Cozinhar é organizar o pouco para que dê para todos, é calcular para que sobre para o outro dia, é transformar escassez em sustento. Para muitas mulheres, cozinhar não é escolha, é obrigatoriedade, uma tarefa que nasce da necessidade, não dá vontade, mas que ainda assim carrega gestos de cuidado que sustentam famílias inteiras. Foi assim também com minha mãe, Lêda Maria, que tantas vezes fez da panela um gesto de resistência: equilibrando tempo, cansaço e recursos escassos para garantir que seus filhos tivessem alimento, mesmo quando a realidade era dura. Ao agradecer a ela, agradeço simbolicamente a todas as mulheres que sustentam vidas com o que têm e, muitas vezes, com o que não têm. Neste texto, procurei trazer alguns fragmentos que marcam a trajetória de minha mãe e de tantas mulheres brasileiras. Carrego um desejo profundo de que ela não tivesse enfrentado os agravos físicos e a sobrecarga mental produzidos pela desigualdade social. Que aos 60 anos, ainda tão jovem, sua saúde não estivesse marcada por impactos irreversíveis decorrentes de uma vida inteira de trabalho exaustivo, invisível e mal remunerado. Que a história e a vida de Lêda Maria seja honrada, vista e reconhecida. Que histórias como a dela deixem de ser realidade e passem a existir apenas como registros de um passado que não queremos repetir, como marcas que lembram o que não deve ser naturalizado e como exemplos do tipo de dignidade que todo ser humano deveria experimentar. Escrevo com afeto, com gratidão e com o compromisso de não deixar que vidas como a dela permaneçam no silêncio. Esta é uma singela homenagem e, ao mesmo tempo, um lembrete de que a luta por justiça social também começa ao dar nome e visibilidade a quem

Em novembro, o Instituto Tocar dará continuidade à série especial de lives do Conect@r Mulheres – Unidas na Diversidade

Em novembro, o Instituto Tocar ira dar continuidade à série especial de lives do Conect@r Mulheres – Unidas na Diversidade No centro do debate as experiências, os desafios e as potências das mulheres em rede Em Novembro, o Instituto Tocar convida você para as duas lives que colocam no centro do debate as experiências, os desafios e as potências das mulheres em rede. No dia 6 de novembro, às 20h, com o tema: Afeto, alianças e redes de apoio Convidamos a empresária Dora Gomes – Sócia Proprietária da LOD Consultoria Empresarial e fundadora e presidente do Instituto É POSSÍVEL, para um diálogo potente sobre “Amizade entre mulheres é antídoto”. No dia 20 de novembro, às 20h, com o tema: Machismo cotidiano e violências simbólicas, Convidamos Jussara Barros – Assistente Social, pós-graduada em Serviço Social, Educação, Diversidade e Inclusão Social. Ativista pelos Direitos Humanos, com atuação em políticas públicas de alta complexidade com mulheres, crianças, adolescentes e a população em situação de rua. As lives serão mediadas por Regina Almeida, presidente do Instituto Tocar, e transmitidas pelas nossas redes sociais, fortalecendo a formação coletiva e o cuidado em rede. Transmissão ao vivo pelo youtube Ative o lembrete, siga o Instituto Tocar nas redes e participe com a gente! Instagram Tocar Facebook Tocar Vamos juntas tecer diálogos que transformam. O Instituto Tocar é uma organização sem fins lucrativos, cuja MISSÃO é Promover e desenvolver programas, projetos e serviços para efetivação das políticas públicas nas áreas de Assistência Social, Saúde, Educação, Cultura e Meio Ambiente guiado por valores de justiça, ética, cidadania, direitos humanos e participação colaborativa. Acreditamos que o afeto e a conexão humana são poderosas ferramentas para promover a inclusão social, melhorar a qualidade de vida das pessoas em situação de vulnerabilidade e em diferentes contextos institucionais, públicos e privados.  Saiba mais sobre o Tocar Confira outras Notícias Tocar Acessar todos as notícias

Gênero, Sexualidade e Território: Desafios e Resistências nas Periferias

Gênero, Sexualidade e Território: Desafios e Resistências nas Periferias As discussões sobre gênero e sexualidade no Brasil não podem ser dissociadas das condições de território e classe social. Quando olhamos para as periferias urbanas, podemos observar que as desigualdades de gênero e as violências relacionadas à sexualidade não se manifestam de forma isolada, mas atravessadas por marcadores sociais raça, classe, geração, religião e pertencimento comunitário. Nesse sentido, pensar as periferias como lócus de análise é fundamental para compreender como as opressões se estruturam e, ao mesmo tempo, como práticas de resistência emergem nesses contextos. Nas periferias, as mulheres e pessoas LGBTQIA+ enfrentam um cotidiano marcado pela precarização: falta de acesso a políticas públicas, serviços de saúde e educação de qualidade, insegurança alimentar e violência urbana. Essas condições potencializam a vulnerabilidade a violências de gênero e sexualidade, que se expressam tanto na esfera doméstica quanto nos espaços públicos. O feminicídio, por exemplo, atinge de forma desproporcional mulheres negras e periféricas, revelando a intersecção entre racismo estrutural e desigualdades de gênero (CRENSHAW, 2002; SAFFIOTI, 2015). Contudo, reduzir a periferia apenas a um espaço de carência seria uma leitura limitada. É nesses territórios que florescem formas de organização coletiva que reafirmam identidades, produzem redes de apoio e constroem estratégias de sobrevivência. Coletivos de mulheres, associações comunitárias, grupos de jovens e movimentos culturais vêm ressignificando a experiência de viver na periferia, transformando dor em potência política (HOOKS, 2019). A arte urbana, como o rap, o slam, o grafite e as danças de rua, tem se mostrado um instrumento para denunciar opressões e reivindicar dignidade e direitos. A sexualidade também se expressa nesses espaços de forma plural, muitas vezes desafiando normas hegemônicas. Jovens periféricos constroem estéticas, linguagens e modos de viver que confrontam estigmas e criam novas possibilidades de existência. A luta por reconhecimento de identidades de gênero e orientações sexuais diversas, quando articulada às pautas territoriais, amplia o campo das reivindicações sociais e torna visível a complexidade da experiência periférica (AKOTIRENE, 2019). Assim, pensar gênero e sexualidade a partir da perspectiva territorial nos leva a reconhecer que não existe uma experiência universal de ser mulher, de ser LGBTQIA+ ou de viver a sexualidade. Essas vivências são profundamente marcadas pelas condições sociais e geográficas, e só podem ser compreendidas quando consideramos as interseccionalidades presentes. Mais do que denunciar a violência, é necessário fortalecer políticas públicas que tenham recorte territorial, garantindo a efetividade da proteção social e a promoção da cidadania plena. É também imprescindível valorizar as experiências de resistência e cuidado que já acontecem dentro das comunidades, pois são nelas que nascem as sementes de luta para um futuro mais justo e igualitário. A partir da perspectiva de desafios e resistências, é necessário reconhecer que ser quem se é na expressão de gênero, na orientação sexual e nas múltiplas formas de existir constitui um ato político e de resistência, sobretudo nas periferias. Em contextos marcados pela falta de recursos e pela ausência de políticas públicas efetivas, pessoas LGBTQIA+ se tornam mais suscetíveis a discriminações e violências, que vão desde o silenciamento e outras formas de agressões. A vulnerabilidade se intensifica quando a estrutura social limita o acesso a espaços de acolhimento, educação e saúde, dificultando tanto a denúncia das violências quanto o exercício pleno da cidadania. Nessa lógica, o poder aquisitivo assume papel determinante: quanto maior o acesso a redes de apoio, informação e serviços, maior é a possibilidade de viver sua identidade e sexualidade de forma autônoma e segura. Contudo, nas periferias, onde o território muitas vezes é também sinônimo de resistência, constituem formas singulares de existir e afirmar-se, reafirmando que a luta por visibilidade e dignidade extrapola o campo individual e se inscreve como demanda coletiva (BENTO, 2017; BUTLER, 2003). Desse modo, é indispensável fortalecer políticas públicas afirmativas voltadas a grupos historicamente marginalizados, pois são elas que viabilizam o exercício pleno da cidadania e a redução das desigualdades estruturais. A presença do Estado, por meio de ações que considerem as especificidades de gênero, sexualidade, raça e território, representa um ponto de mudança essencial na construção de uma sociedade mais justa. Políticas que assegurem o direito à educação inclusiva, ao trabalho digno, à segurança e à saúde integral especialmente para mulheres, pessoas LGBTQIA+ e demais grupos em vulnerabilidade nas periferias constituem caminhos concretos para transformar realidades a partir da justiça social. (OLIVEIRA, 2025) Referências: AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen, 2019. BENTO, Berenice. A reinvenção do corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual. São Paulo: Ed. da Unesp, 2017. BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Estudos Feministas, v. 10, n. 1, p. 171-188, 2002. HOOKS, bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2019. SAFFIOTI, Heleieth I. B. Gênero, patriarcado, violência. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2015. OLIVEIRA, M. G. M.; SOUZA, R. S. de. POLÍTICAS CULTURAIS E INCLUSÃO SOCIAL. Revista Contemporânea, v. 5, n. 6, e8305, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.56083/RCV5N6-016. Jussara Barros de Azevêdo Assistente Social e ativista pelos Direitos Humanos. Pós-graduada em Serviço Social, Educação, Diversidade e Inclusão Social, possui trajetória marcada pela atuação em políticas públicas de alta complexidade, com mulheres, crianças, adolescentes, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua e em contextos de uso abusivo de substâncias psicoativas. Tem experiência em movimentos sociais de mulheres, comunidade LGBTQIA+, e foi conselheira do Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos de Brasília (CDPDDH). Tem escritas sobre as temáticas: Direitos Humanos; Preconceito e seus impactos na comunidade LGBTQIA+; Acesso à educação em tempos de pandemia. Atualmente, desenvolve um artigo em formato de pesquisa sobre “Abandono e Vulnerabilidade Animal no Sol Nascente-DF: o olhar do Serviço Social sobre sensibilização comunitária e políticas públicas de proteção animal”, e o artigo “Mulheres que cuidam: a invisibilidade que se repete”, dedicado às histórias de resistências que marcam a vida das mulheres trabalhadoras. Confira outros Artigos do Blog

Em outubro, o Instituto Tocar amplia o diálogo com a série especial de lives do Conect@r Mulheres – Unidas na Diversidade

Em outubro, o Instituto Tocar amplia o diálogo com a série especial de lives do Conect@r Mulheres – Unidas na Diversidade No centro do debate as experiências, os desafios e as potências das mulheres em rede Em Outubro, o Instituto Tocar convida você para as duas lives que colocam no centro do debate as experiências, os desafios e as potências das mulheres em rede. As lives serão mediadas por Regina Almeida, presidente do Instituto Tocar, e transmitidas pelas nossas redes sociais, fortalecendo a formação coletiva e o cuidado em rede. No dia 2 de Outubro, às 20h, com o tema: Intimidade é revolução: Prazer, Corpo e Liberdade. Convidamos a Soraya Vidya  – Autora e Terapeuta Internacional em Tantra com vasta formação. Facilita jornadas no Brasil, Índia, Bali e Portugal. Transmissão ao vivo pelo youtube   No dia 16 de Outubro, às 20h, com o Tema: Voz, silêncio e autonomia na fala. Convidamos Carol Freire – Embaixadora da Rede Mulher. Empreendedora, especialista em desenvolvimento de negócios com foco em gestão estratégica e inovação. Transmissão ao vivo pelo youtube Ative o lembrete, siga o Instituto Tocar nas redes e participe com a gente! Instagram Tocar Facebook Tocar Vamos juntas tecer diálogos que transformam. O Instituto Tocar é uma organização sem fins lucrativos, cuja MISSÃO é Promover e desenvolver programas, projetos e serviços para efetivação das políticas públicas nas áreas de Assistência Social, Saúde, Educação, Cultura e Meio Ambiente guiado por valores de justiça, ética, cidadania, direitos humanos e participação colaborativa. Acreditamos que o afeto e a conexão humana são poderosas ferramentas para promover a inclusão social, melhorar a qualidade de vida das pessoas em situação de vulnerabilidade e em diferentes contextos institucionais, públicos e privados.  Saiba mais sobre o Tocar Confira outras Notícias Tocar Acessar todos as notícias

Economia e Empreendedorismo Feminino

Economia e Empreendedorismo Feminino A vida, em muitos momentos, nos apresenta desafios que parecem maiores do que nossa força. Mas é justamente nesses instantes que descobrimos a potência que carregamos dentro de nós. O empreendedorismo feminino é, antes de tudo, um ato de resistência e criação: transformar dificuldades em caminhos, medos em coragem e sonhos em conquistas. Transformar saberes em negócio nunca foi tarefa fácil. O caminho é repleto de obstáculos, mas também de oportunidades para reinventar-se. Entre os limões que a vida nos entrega, surgem incertezas, medos e barreiras. E, a cada desafio, aprendemos a preparar uma nova limonada: um projeto que nasce, uma vitória alcançada, uma ponte que se abre para outras mulheres. Minha história como mulher, artesã e empreendedora traz consigo os altos e baixos que tantas outras também enfrentam. Já vivi momentos em que a insegurança falava mais alto, mas também experimentei conquistas que encheram meu coração de gratidão. Aprendi que cada queda pode ser a base de um recomeço mais forte, e que resiliência é um dos maiores patrimônios de quem empreende. O empreendedorismo feminino nos ensina a navegar pela economia criativa, equilibrando sustento, família, trabalho e sonhos. A economia criativa mostra que artesanato é muito mais do que trabalho manual: é cultura, é identidade, é sustentabilidade. Quando uma mulher empreende, não transforma apenas a própria vida, mas também fortalece sua comunidade. E quando empreendemos juntas, multiplicamos oportunidades. Economia criativa cria caminhos de autonomia e dignidade, preservando tradições enquanto abrimos espaço para inovação. Transforma talentos em renda, memórias em arte e redes de apoio coletivo. Celebrar conquistas femininas é também resgatar histórias, revelar possibilidades e estimular que cada mulher descubra suas capacidades. Empreender não é apenas crescer financeiramente: é resistir, criar e deixar legado. Um dos caminhos mais promissores para uma sociedade mais equilibrada e inovadora está na convivência entre gerações. Jovens trazem energia, novas ideias e fluência digital. Pessoas mais velhas oferecem contexto histórico, prudência e inteligência emocional. Juntas, essas forças se complementam e ampliam horizontes. Ambientes intergeracionais — em famílias, escolas, empresas e ONGs — promovem empatia, inclusão, respeito e criatividade. Em tempos de polarização e isolamento, essa convivência pode ser o antídoto que buscamos para reconstruir laços sociais e comunidades mais humanas. Se a vida nos dá limões, cabe a nós transformar em limonadas criativas. Cada desafio pode ser impulso, cada queda pode ser recomeço e cada conquista, motivo de gratidão. Brasília, 11 de setembro de 2025. Carla Santos Sou Carla Santos, formada em Ciências da Computação, pós graduada em — Gestão de Projetos, Docência do Ensino Superior e MBA em Marketing Digital e Vendas. Atuei por mais de 20 anos na área de desenvolvimento e gestão de sistemas. Hoje sou fundadora do Instituto IAE-DF (Instituto de Artesanato e Empreendedorismo do Distrito Federal), professora de artesanato, mentora em vendas pela Rede Mulher Empreendedora e agente de desenvolvimento financeiro em educação financeira pelo Projeto Jornada, com apoio do IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia). Confira outros Artigos do Blog Tocar Acessar todos os Artigos

As mulheres têm se destacado cada vez mais no cenário do empreendedorismo brasileiro

As mulheres têm se destacado cada vez mais no cenário do empreendedorismo brasileiro Segundo informações do SEBRAE, as mulheres têm se destacado cada vez mais no cenário do empreendedorismo brasileiro. Dados recentes apontam que elas estão assumindo a liderança em diferentes segmentos de negócios, mostrando não apenas capacidade de gestão, mas também inovação e resiliência em um mercado competitivo. Além disso, observa-se que a presença feminina no empreendedorismo não se limita ao aumento no número de empresas abertas por mulheres, mas também à qualidade da condução desses negócios, com estratégias mais estruturadas e voltadas para o crescimento sustentável. Outro ponto relevante evidenciado pelo SEBRAE é que as mulheres donas de negócios apresentam, em média, um nível de escolaridade mais elevado do que os homens na mesma posição. Esse fator demonstra o empenho feminino em buscar capacitação e conhecimento como diferencial competitivo, refletindo em maior preparo para lidar com os desafios da gestão empresarial. Essa vantagem educacional contribui para uma tomada de decisão mais assertiva e para a adoção de práticas inovadoras, reforçando a importância da educação como ferramenta essencial para fortalecer o protagonismo das mulheres no empreendedorismo. Os infográficos apresentados reforçam, de forma clara e visual, a relevância das mulheres no universo do empreendedorismo e evidenciam suas conquistas, desafios e potencial de transformação. Mais do que números, esses dados traduzem histórias de coragem, inovação e superação que inspiram outras mulheres a trilhar seus próprios caminhos de liderança e autonomia. Acessar Infográfico Acessar Infográfico Regina Almeida Mãe, avó, escritora e psicóloga (CRP 01/22754), Maria Regina trilha uma jornada única que integra psicologia iniciática e sabedoria atemporal. Há mais de 30 anos, dedica-se à transformação pessoal e coletiva, com base em abordagens como a psicologia analítica de Carl Gustav Jung, a Fenomenologia Existencial e a Gestalt-terapia. Iniciada na Suprema Ordem de Aquarius (SOA), Regina transmite ensinamentos profundos sobre prosperidade, abundância e despertar espiritual. É fundadora e presidente do Instituto Tocar, criado em 1991, onde lidera grupos voltados ao desenvolvimento feminino, à reconciliação com o masculino, à realização do potencial humano e à construção de uma vida mais consciente e plena. Oferece atendimentos em grupo e personalizados, tanto presenciais quanto on-line. Atua também como consultora e desenvolve programas para o ambiente corporativo e instituições. É facilitadora da Formação de Terapeutas Integrativos, capacitando profissionais e multiplicadores sociais. Atualmente, coordena o projeto Tocar Sênior 60+, voltado ao bem-estar e à realização na maturidade. Contato WhatsApp 61 981721901 Confira outros Artigos do Blog Tocar Acessar todos os Artigos

Linha do Tempo da Evolução dos Direitos das Mulheres no Brasil

Linha do Tempo da Evolução dos Direitos das Mulheres no Brasil A trajetória das mulheres brasileiras em busca de igualdade de direitos é marcada por lutas, conquistas e resistências. Do período colonial às mobilizações contemporâneas, cada avanço foi resultado da coragem de mulheres que ousaram desafiar padrões sociais, culturais e políticos. A seguir, um panorama cronológico dos principais marcos dessa caminhada. Século XIX  * 1827– Lei Imperial garante às meninas o direito à instrução primária, ainda que com currículos diferentes dos meninos. * 1879– Mulheres conquistam o direito de ingressar no ensino superior. * 1887– Rita Lobato Velho Lopes torna-se a primeira médica diplomada no Brasil. * 1888– Com a abolição da escravidão, mulheres negras conquistam formalmente a liberdade, mas permanecem marginalizadas social e economicamente. Início do Século XX * 1910– Leolinda de Figueiredo funda o Partido Republicano Feminino, abrindo espaço para a luta pelo voto feminino. * 1922– Nísia Floresta e outras intelectuais influenciam o movimento sufragista. Bertha Lutz lidera o movimento pelo direito ao voto. * 1932– O Código Eleitoral concede às mulheres o direito ao voto e à elegibilidade. Décadas de 1940 a 1970 * 1945– Brasil adere à ONU e à Carta das Nações Unidas, reconhecendo a igualdade entre homens e mulheres. * 1962– O Estatuto da Mulher Casada acaba com a tutela do marido sobre a esposa, permitindo que a mulher trabalhe sem autorização. * 1977– É aprovada a Lei do Divórcio, ampliando a autonomia das mulheres sobre suas relações conjugais. Décadas de 1980 e 1990  * 1985– Criação da primeira Delegacia da Mulher, em São Paulo. * 1988– A Constituição Federal reconhece a igualdade entre homens e mulheres em direitos e deveres, consolidando garantias de cidadania. * 1996– A Lei de Planejamento Familiar assegura o direito das mulheres à escolha de métodos contraceptivos. Anos 2000 * 2002– Novo Código Civil elimina conceitos patriarcais e reconhece a plena igualdade de direitos entre homens e mulheres na família. * 2006– Entra em vigor a Lei Maria da Penha, marco no combate à violência doméstica e familiar. * 2015– É sancionada a Lei do Feminicídio, que tipifica o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime hediondo. Anos recentes * 2018– Alterações na Lei Maria da Penha ampliam medidas protetivas. * 2021– É aprovada a Lei que prevê prioridade para mulheres vítimas de violência em programas habitacionais. * 2022– Avanços no combate à violência política de gênero garantem maior proteção às mulheres na esfera eleitoral. Mulheres na Construção de Novas Realidades A evolução dos direitos das mulheres no Brasil é resultado de quase dois séculos de mobilização e resistência. Da educação ao direito ao voto, do divórcio às legislações de proteção contra a violência, cada conquista representa não apenas um avanço jurídico, mas sobretudo uma transformação cultural. Ainda há muitos desafios a superar — como a desigualdade salarial, a violência de gênero e a baixa representatividade política —, mas a linha do tempo mostra que os passos dados até aqui foram fundamentais para a construção de um futuro mais justo e igualitário. Hoje, as mulheres brasileiras seguem escrevendo novos capítulos dessa história. Em meio às adversidades, elas reafirmam sua força, criatividade e coragem ao ocupar espaços de liderança, empreender, educar e transformar realidades. Que cada conquista do passado sirva de inspiração para o presente e para o futuro, lembrando a todas as mulheres que sua voz, sua presença e sua luta têm poder de mover estruturas, abrir caminhos e iluminar o mundo com novas possibilidades de igualdade e dignidade.     Ana Maria Freire de Andrade – Advogada Consultoria Jurídica com ênfase no Direito Administrativo e Contratual, atuação junto aos Tribunais incluindo TCU em prestação de contas – Assessoria parlamentar, atuando em processo legislativo no Senado e Câmara, atendimento em políticas públicas e formação projetos sociais para mulheres. Confira outros Artigos do Blog Tocar Acessar todos os Artigos

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